domingo, 17 de maio de 2009
memórias de um cárcere
Certa vez estava eu na aula de teatro improvisando.
Meus olhos fechados não percebia o tempo passar pela sala. Posso dizer que enxergava no escuro as minhas mais secretas criações e abstrações. Me sentia desprendido, voava pela minha criatividade onde a fantasia de ter Padrinhos Mágicos ou ser um amigo de Lampião era a mais pura verdade. Voava longe. Minha âncora se passava pelos ouvidos, o barulho vindo dos ventiladores esvaziavam meus olhos fechados.
Tinha curiosidade em abrir os olhos. Me incomodava um pouco me manter no non-sense produtivo. Me cansava a cada espírito que se materializava em mim. Meus personagens foram ficando mais complexos. Seus dialogos e perguntas me botavam contra a parede.
Precisava abrir os olhos mas não podia. ''Terminarei o exercício'' eu repetia para eles. Porém, em um momento que não lembro tudo se esvaziou. Não existiam quimeras, Lampião, Padrinhos e nem Dom Quixote. Tudo era escuro de novo, minha confusão diminuia a cada instante.
Fiquei com vontade de fotografar mas nem a câmera eu conseguia visualizar.

Terminado o execício descobri que esse meu momento de esvaziamento é o famoso improviso do improviso. Não há mais nada para se pensar. Nossa essência aparece e nos comunicamos consigo mesmo sem armas, ou melhor, sem idéias.

Já estou cansado de escrever, nem sei se consigo entender o que eu mesmo quis descrever. A verdade (se é que existe verdade) na história se justifica no hoje. Também já fiz tudo que queria e mesmo assim me sinto preso, de olhos fechados sem nenhuma luz. Rezo para o tempo passar.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Cores de ipanema
Céu azul com pipas amarelas
Grama verde ali atrás
Corpos vermelhos e bronzeados
Sol brilhando em raios ultra violeta
Um pombo cinza me pertubando
e eu aqui de sunga preta esparramado na areia branca.

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domingo, 26 de outubro de 2008
alegria no espelho
ódio a realidade
ao tudo resumido a nada
raiva do burguês e do último miserável
ódio ao pó da vã matéria

ódio a ética maquiavélica
que a violência amargure na alma
e o corpo apodreça até o pó
ódio as questões mais filosóficas

ódio a vida
ódio a morte
ódio sem entendimento pulverizando todos os caminhos da linha tênue da felicidade

ódio a negação
contra-afirmação
ódio ao sol
e a todos os astros celestes

raiva, impulsividade, inquietude,
ao sadismo cientifico
a realidade da dor e do caos
ciúmes e à arrogância abstratas
e a felicidade perambulando com os ratos
que ódio permaneça em suas véias psicóticas pronto para alegrar toda a minha cidade
ódio ao ódio.

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domingo, 28 de setembro de 2008
Inquietações Americanas
Chego na sala e começa a discussão. O professor começa e eu estou com fome e sono. Penso nas cores descritas em outro texto entretando esse do Elliot (ou seja lá qual for o nome do sujeito) ainda não comprei.
Saio da sala, vou tomar um ar e precebo que vai chover, droga. Minha noitada comemorativa se afogará, não iremos a lapa Dorgô. Assim, bebo água e espero o relógio levar o tempo embora. Mas ele não vai. Ando pelo corredor em busca de uma boa janela para olhar a grama molhada, tem gente de preto na chuva e parecem se divertir mais do que eu. E para ser sincero, isso não é ruim.
Minha fome aumenta e meus pensamentos se atropelam, penso na chuva lá fora, no cheiro que a terra molhada, na legitimidade de todos os pensamentos, no sentimento das cores ou imaginando a comida do bandejão. Meu estomâgo ronca de novo porém ainda não se passaram nem 10 minutos.
A inquietação aumenta e chega aos meus sonhos e pesadelos, deixo isso de lado e vou embusca de detalhes desapercebidos na sala de aula. O professor fala e olha para mim, será que ele sabe que eu não li o texto?
Continuo com fome e minha paciência com essa folha de papel se esgota. Sei que, no final, tudo será mediocre. Pego minhas coisas e vou embora.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2008
699
Caras moscas,

Fiz uma experiência maravilhosa na semana passada. Como já sabem esse servo todo dia se encontra com a Ponte muito bem descrita por Lenine mas dessa fez foi diferente... Para variar segui viagem em pé, dentro do 996, sem fones de ouvidos ou sem a Alice nas minhas mãos.
Entrei no ônibus e fui para o fundo dele.. para variar olhei para a janela e os pensamentos me entorpeceram até que uma mulher se mostra humana e se oferece para segurar minha mochila.
Brilhante! Não esperava isso e quando tento ler a capa do livro dela me deparo com a maior janela que já vi na minha vida! Não havia propaganda na traseira do 996!!

Isso já passavamos da Rua das Laranjeiras e percebi algo óbvio, tudo não vinha até mim como percebe-se ao estar no volante ou no carona do automotivo e nada passava pelos vidros laterais. As coisas simplesmente iam embora, sempre se distanciando no momento que eu buscava algum detalhe. Os carros se aproximavam ao invés de seguirem seu caminho e eu via tudo diminuindo. Estranho para uma pessoa egocêntrica ver concretamente as coisas se esvaziando e desaparecendo. A luz no fim do túnel Santa Bárbara também não existia mais, agora a luz só se distanciava! "Meu Deus, está tudo ao contrário" dizia comigo mesmo.

Chegamos na Ponte Rio-Niterói e imaginei tal situação com pessoas. Arrisco generalizar e afirmar que hoje, individuos das mais diferentes formas agem de forma semelhante. Sem perceber a grande maioria impede dos outros chegarem perto e por buscarem mais tempo correm o mais depressa possível se dispersam mais ainda. Foi assim no 996 é assim na realidade.

(fim)


A premissa que o tempo é dinheiro nos faz correr nessa infinita highway a 31684168547684 neuronios por hora. Matrix existe e se situa em todos os campos semanticos do mercado financeiro. Hoje passei pela rua e vi uma pessoa dormindo com um lençol enquanto homens engravatados falando em blueberrys passavam. É contraditório ter uma conjuntura contra o tempo para se ganhar tempo. Todo o totalitarismo do gorverno no v de vingança também existe. Minha questão é saber por que isso não muda? Como a ditadura do proletáriado não chegou? Será que somente com argumentos economicos posso afirmar a alienação das pessoas?


Isso tudo me faz lembrar do Chapeleiro Maluco e sua briga com o Tempo.

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posted by Curupira da cidade grande. @ 19:24   0 comments
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Invincible.
Eu adoraria escrever antes. Minhas férias acabaram e com muita certeza foram as melhores dos penúltimos tempos. Entretando como apontamento de memória prefiro tentar me aprofundar em ontem.
Sim, ontem. Mais uma vez encerro minhas férias em grande estilo com um show digno de idealizações no meu fantástico mundo. Ano passado (ou retrasado, não lembro) babei pelos mutantes na voz da Zélia Duncan e meu amado Arnaldo Batista de anjo porém esse ano foi mais grandioso. Como todos que ainda perdem tempo lendo isso aqui sabem que a grandiosidade vem do pensamento e da desordem que isso causa em mim.
Voltando um pouco (hahahahhahaha) sou obrigado a descrever o dia de ontem para botar em minha biografia.

- Puta merda... 18:05! ainda quero dormir para não ficar desanimado no show..
Chego em casa, não tem ninguém ligo o Media Player e Lenine se faz presente enquanto busco no escuro meu travesseiro. Na volta para a cama boto meu celular para despertar 19:10. Minha inquietação não me permite dormir então busco o monobloco na minha biblioteca e a noite da alegria começa.
Vou me arrumar, minha dúvida agora a que roupa usar. Não queria me parecer com mais um indie metido a intelectual cheirando a arrogância e muito menos poderia estar casual de mais. Paro de pensar e visto qualquer roupa e já penso nos golpes de karatê que a Lorena me daria por chegar atrasado. Entro em um táxi e o motorista olha para meu tênis, depois aumenta o som e o Belo entra em minha "playlist" pré-show. Cheguei no MAM e meu celular estava com 4% de bateria ligo para a Lorena e meu celular não completa a ligação. Ela me ligara antes e eu atendo, putz! a cobrar de novo... Retorno a ligação e me dou conta que existe uma fila imensa para entrar. Me perco na noite olhando para todas aquelas pessoas e esqueço da Lorena. "- vira! vira para trás!" "- hã?! tem muita gente aqui!" "- só vira!" "- tá bom! ahhh já te vi!".
(...)
Entramos no Vivo Rio, Jay Vaquer finge ser uma marionete, depois tenta cantar, eu não escuto e pego uma devassa (que, sem dúvida, é a pior cerveja que existe). Ele parece um viado, descubro que muita gente parece viado no show. A amiga da Lorena diz para ficarmos mais próximo do palco e então o melhor da noite acontece. O anarquista me aborda e então começa a pregar sua idéia de desobediência civil, ele quer pular para a parte da pista vip. Não preciso dizer que foi ignorado. Logo depois um gordinho (para ser bem eufemico) diz que está no show para fazer amigos e por fim uma garota quase atinge um orgasmo do meu lado. Rolou também a garota armada mas essa entra no grupo dos indies chatos então não vou perder tempo com ela.
O pré-show termina e ficamos conversando, já havia percebido antes mas só agora pude ver que a Lorena estava realmente empolgada e toda a minha idealização do show estava prestes a acontecer.
Assim que eu chego o show começa e Knigths of Cydonia é o carro abre-alas. As luzes estalam e todas as cores, a guitarra me lembra um bangue bangue, começo a pular e cantar, as luzes continuam alucinadas distorcendo meus sentidos, me sinto perdido sem vontade de me achar, e então vejo o vídeo que rola no palco, alí descobri que seria uma viagem como toda a crítica diz. Acaba a música e olho para a "amiga" (não lembro do nome dela mas sei que realmente é muito gente fina!) e ela já diz que tomou umas 987468638746387 cotoveladas da Garota-Orgasmo. Depois observo a Lórien... realmente sei que não estaria alí se não fosse ela, até porque foi ela quem votou pilha para ir. Mas não esperava vê-la liberta de suas barreiras (ou foi o que pareceu).. enfim, isso já me bastava para o show ser ótimo.
Mas como eu acho que já disse aqui, o Muse foi além. Na segunda música já pingava de suor e os solos de guitarra aumentavam mais ainda minha atenção a todos os detalhes, desde alguma coisa que eu desconhecia na lorena a pláteia sem graça nos camarotes.
Resumindo mais ainda, já que estou sem saco de escrever mais quero guardar aqui e na minha memória para sempre três músicas.
Supremassive Black Hole chegou aos meus ouvidos para comprovar minha profecia! sabia que eu remontaria uma boate russa (ou de qualquer outro país da europa oriental) onde Vin Diesel se encontra com a máfia. Todo mundo dançando e uma boca negra bem articulada na tela "Supremassive Black Hole".
Não escutei Filip mas Time is Running Out foi a música mais cantada, vibrando em frequências ultra-sônicas, me fazendo pular cada vez mais alto. Fiquei rouco pagando a promessa que fiz a Nat-Nat! Alucinado depois de altos solos de guitarra agudos e a bateria acompanhada de luzes. Também sou obrigado a lembrar dos balões com papel picado dentro além das colunas de fumaça! Não tenho palavras para o novo rock progressivo!
Para terminar a aula de Rock ensinado pelo Muse termino com Invicible! Com a bateria e o vídeo mostrando toda a diversidade cultural do mundo, todas as injustiças feitas pelo homem além de fogos quando a palavra invincible vinha a tona. Me livrei de meus males, o rock não está perdido e ele tá bem vivo ainda motivando a negação desse mundo moribundo! A bateria evocava-nos, geração atormentada e perdida, rebeldes sem causas, arrogantes metidos a intelectuais e todos outros fanfarrões a serem juntos, invencivéis às contradições e a tristeza que não pode pensar em chegar.

[extremamente longo e massante, eu sei.]

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posted by Curupira da cidade grande. @ 22:00   0 comments
terça-feira, 24 de junho de 2008
Aula de HIstória Medieval
Vou tentar algo novo agora...

Na aula de medieval onde coisas abstratas acontecem minha mente não parava de "sinapsiar" e veio a inspiração amarelo-rosa-preto e branco. Um dia antes conversava com uma colega de história, talvez, mais lunática que eu - desculpem, mas eu realmente sou parametro de pensamentos alternativos.

Se pararmos para analisar o Arlequim é um merda! Estava lendo alguns significado de cores e descobri que o amarelo significa alegria porém ao mesmo tempo desespero. Espere um segundo, Frejat deve ter lembrado do Arlequim ao dizer que quem ri de tudo é desespero. Até o sol é desesperado! Erradia calor e alegria de um domingo no parque todavia tente andar no centro do Rio de Janeiro - agora tenho que especificar - com um sol bem alegre, realmente não rola, nem anda e o desespero para achar uma sombra chega a beirar todos os limites da esquiziofrenia! Os indícios para essa alegria aparente e superficial já me bastavam. Minha mente não parava e lembrei de meu camarada barbudo de outras revoluções rubro-grandiosas, para variar.

Veja bem, no momento que vivemos para trabalhar não temos tempo para pensar no que realmente nos faz feliz. O trabalho nos oprimirá a sobreviver somente para trabalhar, sem analisar a vida, viver com preocupações onde o trabalho é a solução, vida concreta. Sem expectativas, ocupados somente em nascer e morrer na sala de jantar. Embora queremos não só comida, o trabalho não dará diversão e arte para o meu tão feliz Arlequim ou tantos outros trabalhadores que dão um jeitinho brasileiro para sorrir.

Enfim, foi na tão esperada aula de Medieval que pude concluir meu pensamento amarelo. Pode parecer meio filosófico, teórico ou elitista. Entretando, toda essa felicidade voltada para o dinheiro, para o trabalho, a corrida contra o relógio, a alegria de ver o mengão ganhar no domingo a tarde durante o churrasquinho no bar ali da esquina é ilusão. Seu filho sem escola e seu velho sem dente faz com que os Arlequins atuais sejam desesperados inconsientemente pois nem isso o trabalho, a novela das oito e o superpop deixam-no lembrar.

Logo em seguida veio o rosa colombiano. Como já rezava uma velha piada: "- mulher já olha para a bunda de homem pois é ali onde está a carteira" e Hermes e Renato - antes de continuar quero deixar claro que sou só mais um sofista - com seu famoso "caralho, pirulito ou salsicha, mulher gosta de dinheiro e quem gosta de piru é bicha" me ressaltou o interesse de Colombina gostar de Arlequim. Ele, por ser feliz, não transparece nenhum problema. Não existe tempo feio só o sol com o céu azul, tornando prazeirosos todo os dias. Acredito que ela tenha medo de ver a melancolia de Pierrot e assim descobrir suas dúvidas e sofrimento também, por isso se esconde na alegria do nosso Primeiro Zanni. Até porque ele dá apoio, segurança e alegria anestesiando toda a seu medo do mundo fazendo-a esquecer que as nuvens não são de algodão e os ventos também podem ser feitos através de bombas atômicas.

Até que enfim cheguei no Pierrot! Meu querido hipocondriaco Pierrot. Sua negação preto e branca me fascina, ele nega sua própria existência devido a uma outra pessoa. É louco por ela, sua paixão incondicional não o permite viver. E mesmo assim nega, tenta superar mas não consegue. Pierrot pensa ser um tanto maior somente com um olhar encabulado de Colombina. Ele sente inveja, raiva, repudio e ciúmes de Arlequim, ele é humano. Tem sentimentos tristes mas não deixa de ser humano pois tais sentimentos não passam de uma caracteristica inerente a cada Homem. Ele sofre por não ter seu semelhante perto e não por causa de dinheiro ou outros bens que nosso mundo nos oferece. Um dia chegará sua felifidade, é claro, e diferente do pobre Arlequim ele dará valor.

E eu.. já neguei essa teoria faz tempo, se não ficarei louco

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posted by Curupira da cidade grande. @ 02:02   4 comments
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Home: Rio de Janeiro, Afghanistan
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