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| domingo, 17 de maio de 2009 |
| memórias de um cárcere |
Certa vez estava eu na aula de teatro improvisando. Meus olhos fechados não percebia o tempo passar pela sala. Posso dizer que enxergava no escuro as minhas mais secretas criações e abstrações. Me sentia desprendido, voava pela minha criatividade onde a fantasia de ter Padrinhos Mágicos ou ser um amigo de Lampião era a mais pura verdade. Voava longe. Minha âncora se passava pelos ouvidos, o barulho vindo dos ventiladores esvaziavam meus olhos fechados. Tinha curiosidade em abrir os olhos. Me incomodava um pouco me manter no non-sense produtivo. Me cansava a cada espírito que se materializava em mim. Meus personagens foram ficando mais complexos. Seus dialogos e perguntas me botavam contra a parede. Precisava abrir os olhos mas não podia. ''Terminarei o exercício'' eu repetia para eles. Porém, em um momento que não lembro tudo se esvaziou. Não existiam quimeras, Lampião, Padrinhos e nem Dom Quixote. Tudo era escuro de novo, minha confusão diminuia a cada instante. Fiquei com vontade de fotografar mas nem a câmera eu conseguia visualizar.
Terminado o execício descobri que esse meu momento de esvaziamento é o famoso improviso do improviso. Não há mais nada para se pensar. Nossa essência aparece e nos comunicamos consigo mesmo sem armas, ou melhor, sem idéias.
Já estou cansado de escrever, nem sei se consigo entender o que eu mesmo quis descrever. A verdade (se é que existe verdade) na história se justifica no hoje. Também já fiz tudo que queria e mesmo assim me sinto preso, de olhos fechados sem nenhuma luz. Rezo para o tempo passar. |
posted by Curupira da cidade grande. @ 14:25  |
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